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Maria Ana Bobone brilhou em Oeiras PDF Imprimir e-mail
Maria Ana Bobone brilhou em OeirasCasa totalmente cheia para ouvir o tão aguardado concerto de Maria Ana Bobone em Oeiras.

Maria Ana apresentou-se no passado dia 16 na iniciativa “Vozes do Fado”, concerto onde quis apresentar alguns dos novos temas que farão parte do seu próximo CD. Tinha prometido algumas surpresas e conseguiu surpreender tudo e todos.

O concerto começou com o fado Carriche com a letra “Senhora do Monte”. De seguida Maria Ana cantou algumas das suas novidades. “Se tudo o que há é mentira” e “Sol nulo dos dias vãos”, ambos de Fernando Pessoa, foram duas das estreias. A seguir canta-nos “Fado da Ilusão”, um tema maravilhoso com música de Ricardo Rocha e letra do seu amigo Fernando Pinto do Amaral, um dos poetas mais talentosos da actualidade.

E o espectáculo continua, sendo tempo agora de ouvir alguns dos temas do seu repertório de sempre.
Uma das surpresas surge em palco. Maria Ana Bobone convida Miguel Capucho para interpretar em conjunto e a vozes o tema “Olhos Negros”.

A seguir a uma brilhante guitarrada, é chegado o momento da maior surpresa da noite. Maria Ana senta-se no piano onde toca e interpreta divinalmente três temas: “Espelho Quebrado” foi a primeira. Segue com “Maria da Mar” numa música de Armandinho e com uma letra de sua própria autoria. Canta ainda “Castro D’Aire”, tema de Pedro Caldeira Cabral, num poema de Fernando Pinto do Amaral intitulado “Dança”. O público num brilhante momento de admiração, fez uma ovação contínua e prolongada no final de cada um dos temas. Maria Ana Bobone parecia que crescia ainda mais em cada canção que tocava. Sem dúvida impressionante.

Seguia-se a noite de emoções. Voltava o conjunto de guitarras para tocar desta vez “Padroeira” um tema de rara beleza e muito pouco conhecido, com letra de Pedro Homem de Mello e música de Alain Oulman. A fadista conta depois uma pequena história. Disse que “tinha encontrado em casa de sua avó uma relíquia. Uma pauta com um fado que lhe parecia incrível”. Pediu novamente a Fernando Pinto do Amaral que fizesse um poema para “tão preciosa relíquia”. O resultado foi o “Fado Triste”.

O concerto estava a chegar ao fim, mas ainda houve tempo para ouvir “Fado Malhoa”, “Havemos de Ir a Viana” e “Vira de Santa Marta”. E Maria Ana não cansava de nos impressionar. A poucos minutos do fim, cantou “Senhora do Almortão” com um arranjo seu, onde misturou vozes e batuques com a sua própria voz, inovando pela positiva, esta tão conceituada canção popular.
O público vibrou e não deixou Maria Ana Bobone ir embora. Voltou para dois “encores” e termina com “Lisboa Antiga” pondo todo o público de pé a cantar.

Durante todo este momento os músicos que acompanharam Maria Ana Bobone foram Bernardo Couto (guitarra portuguesa), Jaime Santos (viola de Fado) e Daniel Pinto (Viola Baixo).

Resta-nos agora aguardar pelo próximo disco de Maria Ana, pois promete!

João Alves
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