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 Nasceu em Lisboa a 4 de Outubro de 1974. A sua paixão pela música fez-se sentir desde pequena, sem nunca ter, apesar disso, aspirado a ser artista. Não obstante, o mundo do espectáculo acaba por conquistá-la ainda na faculdade, no 5º ano de Veterinária. Por um mero acaso, Mafalda Arnauth descobre-se subitamente transportada para o mundo dos palcos, dos ensaios e das casas de fado, onde se deixa crescer artisticamente com as palmas, a apreciação do público e a auto-descoberta através do canto.
Com a frescura característica de uma voz jovem, até então completamente alheia ao mundo do fado, cativou primeiro pela espontaneidade e pelas memórias despertas com as suas reinterpretações de sucessos antigos. Depois, fez crescer a chama até desabrochar em pleno fogo, emprestando ao fado a sua própria natureza, personalidade e composições originais, revelando-se de uma forma mais caracterizada e verdadeira.
NO PRINCÍPIO ERA O FADO…
A voz única de Mafalda Arnauth – e a sua forma também única de estar no fado - não poderia, por isso, deixar de cativar e seduzir, desde cedo, o universo discográfico. A oportunidade para o primeiro álbum surge com a editora EMI, casa da esmagadora maioria dos nomes mais fortes do género. “Mafalda Arnauth”, o disco de estreia, em 1999, surge já recheado de composições suas, graças ao estímulo do produtor, João Gil.
O trabalho transforma-se num sucesso de vendas e crítica quase instantâneo e granjeia a Mafalda, aos 24 anos, o Prémio Revelação do Semanário "Blitz". No ano seguinte, é nomeada na categoria de melhor intérprete para os “ Globos de Ouro” da SIC – e a popularidade cresce tanto quanto a responsabilidade.
Apesar da sua enorme importância, o disco de estreia surge na carreira de Mafalda Arnauth como o corolário das dezenas de concertos até então realizados um pouco por todo o mundo. Não obstante, acaba por ser o impulso que faltava para que seu espectáculo ganhasse, definitivamente, contornos próprios.
Mafalda revela-se agora, como nunca, um “animal de palco”, procurando alargar ainda mais o seu repertório e poder, dessa forma, representar ainda melhor as tradições do seu Pais e da sua cultura, revistas com as suas próprias palavras e composições.
É também nesta fase da sua carreira que a timidez começa a dar lugar a uma faceta de entrega total. Mafalda Arnauth mostra querer e saber comunicar, multiplicando-se em acções mediáticas, palestras e... claro, concertos!
Um ano após o sucesso do seu álbum de estreia, regressando a Portugal depois de uma longa tournée pelos palcos do país e do estrangeiro, estreia-se finalmente em Lisboa, terra do fado. Estamos em Setembro de 2000 e a lotação da difícil sala do grande auditório do Centro Cultural de Belém está completamente esgotada.
Totalmente rendido, o público brinda Mafalda Arnauth com o aplauso incontido do prazer e “obriga-a” a realizar - se dúvidas houvesse – que tudo o que vier a seguir terá de ser mais e melhor. É assim a exigência, é assim a vontade, é assim a esperança.
O DESPERTAR DA VOZ….
Diz a voz popular que “ o poeta não dorme e o criador também não”; e é bem verdade! Em Março de 2001, Mafalda Arnauth volta a dar cartas e edita o seu segundo trabalho discográfico, “Esta Voz Que Me Atravessa”.
Editado simultaneamente em Portugal e na Holanda pela EMI, o disco conta com a produção de Amélia Muge e José Martins, que dirigem Ricardo Rocha na guitarra portuguesa, José Elmiro Nunes na viola e Paulo Paz no contrabaixo.
“Esta Voz Que Me Atravessa” é um seguimento feliz, inspirado na poesia de Hélia Correia e na musicalidade genial de Fausto Bordalo Dias – e traduz um profundo crescimento artístico da cantora. Pouco tempo depois, Mafalda torna-se, aliás, na primeira artista portuguesa a ser representada internacionalmente pela Virgin Records.
Em Outubro de 2001, realiza o segundo concerto em Lisboa. Um ano depois do Centro Cultural de Belém, a artista fez sua a imponente sala da Culturgest, esgotada com semanas de antecedência. Novamente, este concerto marca o início de uma tournée por várias capitais da Europa.
É uma artista ainda mais rica e madura, aquela que regressa a Portugal, desta feita ao coração do Norte, na Cidade Invicta. Dá corpo ao tema “Fado, a Nova Geração”, no Festival “Um Porto de Fado”, uma iniciativa acolhida pelo Mosteiro de São Bento da Vitória. Passando largamente as expectativas mais optimistas, Mafalda Arnauth conquista também o Porto, de uma forma quase misteriosa, como o fado é, na realidade.
ENCANTAMENTOS…
O ano de 2002 é vivido intensamente, com uma série de concertos quase “sem tréguas”, fruto natural da projecção crescente da cantora e da receptividade por parte do público ao género do fado. Um pouco por toda a parte, multiplicam-se os colóquios, as conferências, o surgimento de novos valores… e é por esta altura que um novo álbum de Mafalda Arnauth toma forma.
Assumindo a produção do seu terceiro disco, “Encantamento”, a artista abandona quase por completo a fatalidade, a desgraça e a sombra normalmente associadas ao fado. A tristeza serve-lhe de alimento para a esperança; os sofrimentos, de inspiração; as dificuldades, de força e alento.
2003 será, por isso mesmo, um inesquecível ano de graça. Mafalda Arnauth abraça a satisfação de quem alcançou uma paz de espírito, só possível quando se consegue o que se procura.
Em palco, com a força de uma maturidade feita de experiência, notam-se também mudanças. Mafalda Arnauth exterioriza as suas emoções de uma forma cada vez mais visível, desinibida e consciente.
Evolui na coragem, na garra, no amor à arte e na consciência da obrigação maior de um artista: ser absolutamente generoso com o seu público. O seu reportório torna-se ainda mais variado, com a composição a surgir, sempre, a um ritmo suficiente para acompanhar a necessidade de renovação perante o público.
SALAS INESQUECÍVEIS…
Desde o lançamento do CD “Encantamento”, Mafalda não parou de dar cartas, realizando cerca de 60 concertos em Portugal e, lá fora, em Itália (Roma, Stresa, Spilimbergo), Holanda (Amesterdão), Bélgica, França (Paris, Lyon), Grécia, Macau, Suécia, Turquia, Londres e Espanha.
Destes, a actuação que mais a marcou foi a do Concertgebow, em Amsterdão, na Holanda, pela importância e dimensão do concerto e pelo facto de se tratar de uma das salas mais prestigiadas da Europa. Foi ali que viveu um dos momentos mais emotivos e intensos da sua vida, graças à reacção entusiasta dos 2400 espectadores presentes.
Num registo diferente, Mafalda gosta de recordar, com grande carinho, a semana de concertos que fez na Grécia, num Club de Jazz de grande notoriedade no país e que lhe recordou, pelas suas condições particulares, a intimidade e proximidade das nossas casas de fado.
Já a sala mais impressionante de sempre, essa, é sem sobra de dúvida, para Mafalda, o Royal Albert Hall. Com condições sonoras magníficas e uma arquitectura excepcional, proporcionou-lhe também uma actuação memorável...
A VIRAGEM…
O ano de 2004 marca o início da viragem na carreira de Mafalda Arnauth. Mais que um acto de desencanto ou desagrado, a sua saída da editora EMI é consequência de um passo, consciente e necessário. Não obstante, o passado partilhado, o presente prolífero e o futuro que se previu, desde cedo, de colaboração e respeito, faz nascer em Junho de 2005 o lançamento de “Talvez se Chame Saudade”, “o melhor de Mafalda Arnauth”.
O lançamento deste best of, no qual Mafalda Arnauth participou activamente, foi uma nova fonte de inspiração para a cantora, através das memórias que lhe despertou. A compilação mostrou-lhe, nomeadamente, o seu crescimento como artista, acabando por servir quase como um mapa que espelha cada passo que deu para evoluir; a partilha humana com todas as pessoas que consigo construíram cada tema e cada sensação; a sua luta para ultrapassar inseguranças e incertezas; a sua opção clara e irrefutável pela musica, pela sua verdadeira vocação.
“Talvez Se Chame Saudade”, o best of, é também um momento eternamente cristilizado no tempo, em tributo ao Fado que inegavelmente faz parte da cantora, mesmo nos temas em que as fronteiras com a tradição e as experiências não estão bem definidas - pois é desses que nasce a maior reflexão, a maior dificuldade e a sensação de se lidar com algo preciosamente misterioso.
Os músicos…
Entretanto, ao longo de 2005, Mafalda Arnauth concluiu ter encontrado os parceiros ideais para exprimir a sua musicalidade, descoberta que a incentivou a continuar a compor e a descobrir novas e constantes formas de se expressar.
Mafalda trabalha há sensivelmente um ano com Paulo Parreira na guitarra portuguesa. Na guitarra clássica, desde Novembro que a parceria com Diogo Clemente, um jovem de 19 anos, tem sido extremamente recompensadora, pois traz todo um fogo e frescura novos ao fado do ensemble. Ricardo Cruz, no baixo - o mais recente elemento da equipa de músicos - tem também proporcionado momentos únicos de descoberta.
Pontualmente, destaca-se ainda o trabalho com Luís Pontes, também na guitarra clássica. Nas palavras de Mafalda Arnauth, a experiência tem sido magnifica, revelando uma extrema sintonia entre ambos e uma sensibilidade musical muito próxima.
A INTERNET…
O percurso e a diversidade de Mafalda Arnauth enquanto artista, compositora, autora, empresária, criativa e comunicadora podem ser encontrados, fora do mundo dos discos, também na internet. O site oficial encontra-se em www.mafaldarnauth.com; e o seu blogue pessoal, “Fadiário”, pode ser consultado e participado em www.fadiario.blogspot.com.
Representante:
MAGIC MUSIC Produção Multimédia, Lda
Quinta Do Lau - CCI 2221 - Lau 2950-065 PALMELA
Tel. 212387440 • Fax. 212387449
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 Até aos quinze anos, Marco Rodrigues – que vivia em Arcos de Valdevez – apenas sabia que existia um género musical chamado fado e que a sua maior diva era Amália Rodrigues. Mas, quando vem para Lisboa com a mãe, o fado entrou-lhe pela vida dentro sem pedir licença. Agora, passados pouco mais de dez anos, e depois de “Fados da Tristeza Alegre” (2006), o fadista Marco Rodrigues prepara-se para editar o seu segundo álbum, “Tantas Lisboas”, através da Universal Music Portugal e com edição prevista para o próximo mês de Setembro. Um álbum que tem como convidados Carlos do Carmo e Mafalda Arnauth e entre os compositores e letristas Tiago Machado, Boss AC, Tiago Torres da Silva e Inês Pedrosa.
“O meu novo álbum”, diz Marco Rodrigues, “não tem só fado nem tem só instrumentos de fado. Eu canto fado, vivo do fado mas não estou (apenas) no fado”. E “Tantas Lisboas” mostra um artista precocemente maduro e com ideias bastante bem definidas de qual a música que quer para si. “Eu queria muito fazer este disco com o Tiago Machado (Nota: compositor e pianista que está com um pé no fado e outro noutras músicas), que é o produtor do disco e é um grande músico, compositor e arranjador”. “Canto fado há mais de dez anos mas também gosto da canção, a canção tal como entendida muitas vezes pelo Carlos do Carmo, o Paulo de Carvalho ou o Fernando Tordo; uma canção que pode manter uma matriz de fado mas ter uma abertura musical diferente”.
“Tantas Lisboas” apresenta alguns clássicos – como o lendário “Fado do Estudante” (interpretado por Vasco Santana no filme “A Canção de Lisboa” ou alguns fados tradicionais reunidos numa rapsódia, prática que tem caído em desuso junta da comunidade fadista) – e muitos originais, incluindo dois temas com música composta pelo próprio Marco Rodrigues. Aliás, neste álbum Marco Rodrigues – e tal como acontece muitas vezes ao vivo – acompanha-se, também, à viola. E, diz ele, isso não lhe faz perder a intensidade ou a verdade do canto: “Pelo contrário. Sinto-me muito mais confortável sendo eu a tocar viola porque a minha forma de estar na música, ao vivo, é um pouco irreverente. Gosto de controlar as dinâmicas, os andamentos, de ser eu a segurar o todo. Quando se concentra essa energia só a cantar é fantástica. Mas quando se concentra essa enegria a cantar e a tocar, levando as dinâmicas lá para cima ou cá para baixo, ainda é melhor”.
A cidade de Lisboa está presente, naturalmente, em muitas canções do álbum. De todas elas, Marco Rodrigues destaca “O Homem do Saldanha”, um dueto com Carlos do Carmo, com letra de Boss AC e música de Tiago Machado. “Este tema fala de uma personagem típica de Lisboa – à semelhança de muitos fados antigos que falavam de personagens verdadeiras – que é aquele senhor que passa as noites no Saldanha a acenar às pessoas. E o Tiago Machado, que faz parte da banda do Boss AC, pediu-lhe a letra para o tema. Depois disso, surgiu a oportunidade de fazer o dueto com o Carlos do Carmo – que é uma das minhas grandes referências no fado e que foi uma pessoa que me aconselhou e direccionou várias vezes – e tudo se conjugou na perfeição. Já mostrei o tema ao senhor do Saldanha e adorou-o. Foi uma das experiências mais gratificantes da minha vida: emocionou-se com a letra e, na conversa que tive com ele, percebi que, apesar da fama de maluquinho, é mais lúcido e inteligente que muitos de nós”. E, não é preciso acrescentar que este dueto com Carlos do Carmo encheu Marco Rodrigues de “um genuíno e agradecido orgulho. É um bocado como estes cantores de jazz novos, como o Michael Bublé, cantar com o Sinatra com a diferença de que ele já não pode e eu posso”.
Para além de Boss AC, há mais dois poetas contemporâneos que dão um importante contributo ao novo álbum de Marco Rodrigues: Inês Pedrosa (que assina uma letra) e Tiago Torres da Silva (que assina quatro letras): “Eu não conhecia a Inês Pedrosa até há dois anos, quando participei no Festival RTP da Canção a convite do Tiago Machado. E foi o Elvis Veiguinha que pediu à Inês Pedrosa para escrever a letra. Foi uma experiência fantástica tê-la conhecido. Ela – que é inteligentíssima e uma pessoa muito interessante – percebeu imediatamente o que pretendíamos: falar de Portugal e das suas conquistas sem cair nos clichés habituais. E é aí que nasce o poema 'Em Água e Sal'. O Tiago Torres da Silva, que me foi apresentado pela Mafalda Arnauth, é um poeta que tem uma sensibilidade especial a escrever para fado. Todas as letras que lhe pedi chegaram-me às mãos já acabadas. Por vezes há letras que têm que ser adaptadas por questões de dicção ou por o intérprete não se sentir confortável a cantá-las, mas no caso do Tiago Torres da Silva não é preciso mexer”.
Com Mafalda Arnauth, Marco Rodrigues canta “Valsa das Paixões”, que tem letra de Tiago Torres da Silva e música de Tiago Machado, o single de avanço deste álbum. “A Mafalda é uma grande amiga e uma pessoa que admiro imenso. O Tiago Machado compôs uma valsa clássica, depois o Tiago Torres da Silva escreveu uma letra muito 'salão de baile', muito 'príncipe e princesa', e percebemos logo que era necessário que este tema tivesse uma voz feminina para juntar à minha. E a escolha da Mafalda acabou por ser natural, tanto pela amizade como pelo registo tímbrico da sua voz. E também ela me deu o privilégio e o prazer de fazer parte deste disco”.
Como se dava conta no início deste texto, Marco Rodrigues passou a sua infância e a sua adolescência sem ter contactos com o fado. Mas o destino – e neste caso o destino foi o facto de a mãe o ter incentivado a concorrer à Grande Noite do Fado, no Coliseu de Lisboa, que Marco venceu e, apesar dos seus tenros 16 anos na altura, já na categoria de Sénior – levou-o para o fado. Poucos meses depois, Marco Rodrigues estreou-se como profissional no Café Luso – onde ainda é fadista e violista residente para além de acumular estas funções com a de director artístico da casa. E, ao longo destes últimos dez anos actuou em palcos de Portugal, Espanha, França, Suíça e Inglaterra, a solo ou acompanhando nomes como Mariza, Carlos do Carmo ou Ana Moura.
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Representante da “geração de cantores do fado tradicional”, inicia-se no fado com a idade de oito anos, em Lisboa, participando nas “verbenas”. Cantou nas Casas de Fado: “Senhor Vinho”, “Luso”, “Faia”, “Taverna do Embuçado” actuando ao lado de Amália Rodrigues, Alfredo Marceneiro, Tristão da Silva, Fernando Farinha e Carlos do Carmo.
A partir dos anos 70 tornar-se-ia igualmente conhecida no estrangeiro, após estadias prolongadas em Macau, Singapura, Malásia e Japão. Actuou na Alemanha, Holanda, França, Angola e Cabo Verde e fez digressões várias no estrangeiro, cantando em salas de prestígio como o Concertgebouw de Amesterdão, no concerto do Ano Novo (2002). Foi convidada de Mariza para participar em concertos no CCB, Royal Albert Hall de Londres e Carré em Amesterdão. Edita em 2006 o CD de carreira “Fados do Meu Fado”, onde revela toda a sua pujança e saber de fadista.
Representante:
OCARINA
R. Quinta De Santa Marta, 2 L - 1495-171 ALGÉS
Tel. 214121136 • Tlm. 969002573 • Fax. 214121140
www.ocarina-music.pt •
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 Nasceu no Porto em 1974. Aos 7 anos de idade começou a estudar piano e aos 12 entrou no Conservatório Nacional onde acabou por tirar o curso geral de piano e o curso de canto. Formada em Comunicação Social, pela Universidade Católica, cedo começou a cantar em público, sobretudo em coros de igreja e festas particulares e foi numa dessas ocasiões que o fadista João Braga a conheceu e a desafiou a cantar Fado.
Maria Ana Bobone estreou-se em disco ao lado Miguel Capucho e Rodrigo da Costa Félix, em 1994 -"Alma Nova". A segunda experiência em registo discográfico, já como única voz presente, aconteceu num projecto de Ricardo Rocha e João Paulo Esteves da Silva -"Luz Destino" -no qual o Fado se "vestiu" duma sonoridade fora do que é habitual ouvir-se neste género musical. Com a guitarra de Ricardo Rocha -que também se revelou neste disco -a ocupar-se da maioria dos arranjos e o contrabaixo de Mário Franco a "colorir" uma parte dos temas, completou-se esta obra que serviu de aposta da editora independente norte-americana M.A.Recordings.
Se em "Luz Destino" Maria Ana Bobone aparece como o complemento vocal sonhado pelos autores do projecto, em "Senhora da Lapa" é ela que inspira de forma entusiástica todos os participantes no disco sendo possível afirmar que o canto de Maria Ana revela uma redescoberta da voz humana no seu estado mais puro. Ambos os trabalhos foram reconhecidos pela crítica especializada.
Maria Ana conta já com uma nomeação para os "Globos de Ouro" na categoria de "Melhor Intérprete Individual" (1997) e participou em vários programas nos quatro canais portugueses de televisão. Até à data, já pisou os principais palcos de Portugal (São Luiz, São Carlos, Centro Cultural de Belém, "Palco do Fado" (Expo' 98), Auditório da Culturgest, Auditório do Parque Palmela, em Cascais, Casino do Estoril, Coliseu dos Recreios, Aula Magna da Reitoria da Faculdade de Direito de Lisboa, Coliseu do Porto, Casino da Figueira da Foz, etc.).
Do seu palmarés internacional, constam actuações no Luxemburgo (1994), Copenhague (Dinamarca, 1996), Barcelona (Espanha, 1997), Suiça (1997), NJPAC (Newark, EUA, 1998), São Paulo (Brasil, 1999), La Baule (França, 1999), Cidade do México (México, 1999), de novo, nos E.U.A. (2000), Malmö (Suécia), Portonovo (Itália), Arzila (Marrocos) e Rotterdam (Holanda)-estas últimas em 2001.
Participou ainda em três concertos em memória de Amália Rodrigues (Casino da Figueira da Foz (Mar. 2000); Coliseu dos Recreios (Out. 2000); e escadinhas da Igreja de São Vicente de Fora (Jul. 2001) -os 2 últimos transmitidos em directo pela TVI. Também fez parte dos convidados musicais que participaram no espectáculo a propósito das comemorações dos 25 anos de Pontificado do Papa João Paulo II, para uma plateia de40.000 pessoas.
O álbum, "100 Anos de Fado-vol. 2", com cinco fados seus, mereceu, por parte dos nossos melhores críticos, as mais entusiásticas referências.
De assinalar a sua presença nos prestigiados Festivais de Música dos Capuchos (1999), de Monsaraz (2000), de Ancona (Itália, Junho de 2001) e da Casa de Mateus (Vila Real), em Agosto do mesmo ano.
Em 2002 apresentou uma série de 13 programas na RTPi, "Fados de Portugal", em que, além de entrevistar personalidades como Manuel Alegre, António Victorino de Almeida ou José Fonseca e Costa, cantou muitos dos seus fados e manteve animadas conversas com convidados em estúdio e telespectadores de todas as partes do mundo.
Desde então continuou apresentar o seu repertório em Portugal e no estrangeiro. Entre 2004 e 2005 grava o seu primeiro CD a solo, ao vivo, na Igreja da Graça, em Lisboa. "Nome de Mar", título do trabalho discográfico editado no início de 2006, conta com a direcção musical e arranjos de Ricardo Rocha, e com as participações de Filipa Pais e Tetvocal, entre outros. Do repertório fazem parte alguns fados tradicionais bem como poemas de Manuel Alegre, Fernando Pessoa ou Miguel Torga.
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Maria Armanda nasceu no dia 4 de Outubro de 1942 e, em 1968, sagrou-se em primeiro lugar na Grande Noite do Fado. Ainda nesse ano gravou o seu primeiro EP, intitulado "O Meu Soldadinho".
No Festival da Figueira da Foz, em 1969, a cantora interpretou o tema "Sombras da Madrugada", da autoria de António José e Ferrer Trindade, que lhe valeu um terceiro lugar. O primeiro LP, um disco de fados inéditos de vários compositores, viu a luz do dia em 1972.
O teatro de revista foi outra das actividades que ocupou grande parte da carreira de Maria Armanda. Em 1979, estreou-se no Teatro Laura Alves, em Lisboa e, dois meses depois, actuou pela primeira vez no Parque Mayer, no Teatro Maria Vitória, como atracção na revista "Rei, Capitão, Soldado, Ladrão".
Nos anos que se seguiram, a cantora participou ainda em mais duas revistas, nomeadamente "Mais Vale Só Que Mal Acompanhada" e "Ó Patego Olha o Balão".
De volta à música, os seus primeiros êxitos foram "O Meu Soldadinho", "Só Porque Desenhaste A Rosa Branca", "Mulher De Qualquer Povo da Terra" e "Mãe Solteira", sendo este último um dos seus maiores sucessos de sempre.
O segundo LP, "Vai Um Fado Ou Um Fadinho?", foi lançado pela Rádio Triunfo em 1982, e incluíu o grande êxito "Mãe Solteira", bem como uma série de outras composições de José Carlos Ary dos Santos, a quem a cantora pediu que lhe escrevesse alguns fados, após o poeta a ter ido cumprimentar no final de um espectáculo em Reguengos de Monsaraz.
O álbum "Pão Caseiro" foi editado em 1984 para a Valentim de Carvalho, um ano depois da morte de Ary dos Santos, e incluiu alguns temas inéditos do poeta musicados por Nuno Nazareth Fernandes, o autor de todas as músicas do disco.
Após ter marcado presença em espectáculos da Europália realizados na Bélgica, ao lado de Carlos do Carmo, Maria Armanda viu ser editado em formato CD pela Movieplay, na Série Ouro, o álbum "Vai Um Fado Ou Um Fadinho?", anteriormente lançado em LP pela Rádio Triunfo.
Seguiu-se, em 1993, "Simplesmente Maria Armanda", um disco gravado para a Discossete e, dois anos depois, chegou às lojas, através da Strauss, o álbum "Pedrito de Portugal", que incluíu o tema-título da autoria de Mário Rainho e Fontes Rocha, bem como fados já consagrados, caso de "Naufrágio", "O Que Sobrou Da Mouraria" e "Cidade".
Depois de ter deixado a casa de fados Senhor Vinho, onde actuou durante muito tempo, a cantora passou a actuar regularmente no Clube de Fado João da Praça. Hoje em dia, canta no restaurante “Guitarras de Lisboa” em Alfama.
Maria João Serra
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 Maria da Nazaré nasceu no Barreiro, então uma das zonas industrias de maior projecção em Portugal. Cedo partiu para Lisboa, onde se radicou no Bairro de Campo de Ourique. E aí começou a cantar, ao despertar para a adolescência. Primeiro em serões de amigos, e logo depois integrada nas sessões para trabalhadores organizadas pela antiga FNAT (hoje INATEL). Nesta mesma altura, pelos finais dos anos sessenta, venceu por duas vezes a Grande Noite do Fado, então patrocinada pela Casa da Imprensa.
Aos 17 anos integrou o elenco dos artistas que colaborava com a antiga Emissora Nacional, percorrendo o país a cantar em serões para trabalhadores que eram retransmitidos pela rádio.
Editou vários discos a solo, mas também em colaboração com o cavaleiro José Mestre Batista e Fernando Farinha.
A sua vida artística tem-na levado a percorrer vários pontos do globo, Brasil, Angola, Moçambique, Grande Bretanha, Bélgica, Finlândia, Suécia, Dinamarca, Espanha, onde a todos eles levava um pouco desta música que percorre as ruas Lisboa.
Tem cantando nas mais prestigiadas casas de espectáculo da região de Lisboa, tal como no Casino Estoril, no Arreda, na Taverna do Embuçado, Lisboa à Noite, SR. Vinho, e por último no Clube de Fado, onde actua presentemente. É convidada com frequência para cantar em festas particulares, congressos e hotéis, e em programas de televisão. Isto para além de diversas participações no Centro Cultural de Belém, na Aula Magna, na Expo 98, nas festas do Avante e da União Geral de Trabalhadores, e ainda em festas organizadas por numerosas Câmaras Municipais, com relevância para as Festas da Cidade de Lisboa.
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 “Um virar de página”, assim Mariza caracteriza o seu mais recente álbum que, já dupla platina em Portugal, tem merecido o melhor acolhimento do público que acompanha a sua paixão por cantar as palavras dos poetas, de que se apropria, pela emoção que coloca na forma como as interpreta.
Mariza tem apresentado o novo álbum, produzido por Jaques Morelenbaum, em vários palcos, nomeadamente no “Live 8” onde foi a única portuguesa participante, entre outros recintos de prestígio, como seja o Carnegie Hall de Nova Iorque, o Barbican ou o Royal Albert Hall em Londres.
“Transparente” resulta como um cadinho de sentimentos descobrindo-se mais a fadista, tornando-se revelador de Mariza.
Por mais que queira ou não, a voz de Mariza solta-se-lhe para a cantiga e a cantiga é o fado, afinal a canção que a embala desde os tempos de menina, oráculo feito no Zambeze de quem nasceu para cantar.
Mariza é uma moçambicana com a alma moldada na Mouraria - “vivi num bairro típico de Lisboa e sempre cantei o fado, eu sei o que é, entendo-me nele” - foi neste bairro que ouviu os primeiros fadistas, muitos, tantos que não se recorda de todos os nomes e os seus rostos esfumam-se na memória, mas estas “reminiscências sobrevivem no meu cantar”.
Fernando Maurício é uma das suas referências fadistas. Ao lado do vate da Mouraria, surgem Carlos do Carmo e Amália Rodrigues, três nomes a quem presta tributo em “Transparente”.
Este envolvimento fadista existiu desde sempre, mesmo se a sua voz se fez ouvir noutros ritmos, mas a distância de Lisboa trouxe-a ao fado mais convicta do que nunca e esse empenhamento foi notado quando em 2001 editou o seu primeiro álbum, “Fado em mim”.
Os títulos dos seus álbuns já publicados, explicam sempre a sua atitude e forma de estar.
Em “Fado em mim” sente-se tanto fado, tanto sentimento, tanto passado e tanto futuro, que se antevê um soltar amarras.
Um álbum, quadrupla platina em Portugal, que a impulsiona para a cena internacional que lhe reconhece o talento.
A imprensa estrangeira não hesita e atesta que nasceu uma nova estrela. Plateias de vários países acolhem-na entusiasticamente.
sua energia em palco não passa despercebida. Logo, em 2002, no Festival de Verão do Quebeque é distinguida com o First Award – Most Outstanding Performance. Mariza encara o palco como a sua “sala de estar onde recebo os amigos” e o público sente esse acolhimento.
Actua no Central Park de Nova Iorque, no mítico Hollywood Bowl, no Festival Womad, esgota o Centro Cultural de Belém, em Lisboa e a Purcell Room no Royal Festival Hall, em Londres.
Nesse mesmo ano a BBC Radio 3 considera-a Melhor Artista Europeia na área de World Music, Mariza tinha já conquistado os britânicos aquando da sua actuação no programa de Jools Holland, considerada uma das melhores, razão pela qual foi incluída no DVD comemorativo do lendário programa da BBC TV.
Em Março de 2003, recebe o galardão das mãos de Michael Nyman, no Hackney’s Ocean que fez silêncio para a ouvir cantar. Na noite anterior Mariza tinha actuado na Union Chapel.
Nessa altura é lançado o seu segundo álbum “Fado Curvo” e, se o fado tal como destino não é uma linha recta, logo “o fado não está encerrado em limites”.
Mariza confirma todos os prognósticos feitos. A crítica alemã volta a distingui-la com a Deutscheschalplatten. O álbum atinge o 6º lugar no Top Billboard de World Music.
“Tratar o fado com respeito e dignificá-lo” são os lemas que a fadista cumpre. O álbum junta aplausos da crítica e público, tanto em Portugal como no estrangeiro.
fadista esgota o Royal Albert Hall, em Londres, a Alte Oper de Frankfurt, o Centro Cultural de Belém, o Théâtre de La Ville, em Paris, entre outros palcos, em sucessivas digressões pela Europa e América do Norte.
Em Portugal os jornalistas estrangeiros reconhecem-lhe “a excelência na divulgação da cultura portuguesa, na sua manifestação mais característica: o fado” e consideram-na Personalidade do Ano 2003.
Este mesmo papel é reconhecido no MIDEM em 2004 ao receber o European Border Breakers Award. Ano em que edita o seu primeiro DVD registando o espectáculo realizado na Union Chapel, em Londres.
Em 2004, ano olímpico, Mariza integra o álbum oficial dos jogos, “Unity”, onde interpreta com Sting o tema “A thousand years”.
Mariza realiza concertos nos quatro continentes com assinalável êxito e salas esgotadas. Abre a temporada do Walt Disney Concert Hall com a Filarmónica de Los Angeles, actua no Teatro Albeniz, em Madrid, 20.000 pessoas aplaudem-na entusiasticamente no Rock in Rio, em Lisboa, sobe ao palco do Teatro Grec em Barcelona, em Aveiro é aplaudida por 30.000 pessoas, é convidada de honra do Festival Internacional da Canção do Cairo, volta a Lisboa onde actua em Monsanto para 22.000 pessoas, participa nos festivais de World Music de Chicago e de Jazz de São Francisco, canta no Centro Cultural de Macau e na Casa da Música em Moscovo.
O fado faz-se à vida pelo mundo, como escreve o poeta, nas palavras transparentes que Mariza canta toda coração.
Em 2005 foi escolhida pelo Reino da Dinamarca para ser uma das embaixadoras internacionais da obra e do espírito de Hans Christian Andersen. A notabilidade alcançada pela fadista tanto em Portugal como no estrangeiro foi uma das razões da escolha para além de no fado, tal como na obra de Hans Christian Andersen, haver uma melancolia de forma poética que se tornou universal.
Pouco mais de um ano após a edição de Transparente, a história de Mariza pelo mundo fora não pára de crescer: tem sido uma viagem de sucesso e reconhecimento que promete continuar nos próximos anos. “Transparente” foi já editado em 35 países de vários continentes.
O álbum, que foi número 1 em Portugal, chegou mesmo ao Top 10 em países tão diferentes como a Finlândia ou a Holanda, tendo ocupado o 6º lugar da tabela Europeia de World Music.
Em Julho de 2005 Mariza foi convidada para estar presente no maior evento musical do ano em todo mundo, como foi o Live 8.
No mês de Setembro deu um concerto memorável em Lisboa com a Orquestra Sinfonietta de Lisboa, conduzida por Jaques Morelenbaum, produtor de Transparente. Mais de 20.000 pessoas assistiram a este grande evento, em Belém.
Em Outubro, Mariza foi nomeada pelo comité da UNICEF portuguesa para ser a nova Embaixadora Nacional. Foi ainda no mês de Outubro que a Fundação Amália Rodrigues lhe atribuiu o Prémio de carreira internacional, reconhecendo Mariza como uma das maiores bandeiras da cultura e música portuguesa pelo mundo fora.
Para além da colaboração com José Mercê, na qual interpretam em dueto “Há Uma Música Do Povo”, o poema de Fernando Pessoa musicado por Mário Pacheco, um dos temas mais emblemáticos do último álbum de Mariza; o ano de 2005 terminou em grande, com o lançamento de uma Nova Edição de “Transparente”, ( já reeditado em França e Espanha), a qual inclui o falado dueto e um DVD com os vídeos de “Cavaleiro Monge” (do álbum “Fado Curvo”) e “Meu Fado Meu” (de “Transparente”).
Já final de 2005, Mariza foi nomeada pela BBC Rádio 3, para os World Music Awards, na categoria de “Melhor Artista da Europa”. Um galardão que recebeu já em 2003, das mãos de Michael Nyman, em Londres.
Mariza iniciou o ano de 2006 com dois concertos memoráveis na Ópera de Sydney (onde actuou novamente em Março de 2007), tendo posteriormente sido nomeada para os prémios australianos “Helpmann Awards” 2006, na categoria de “Best International Contemporary Concert”.
Em Fevereiro, foi agraciada com a Ordem do Infante Dom Henrique (grau de comendadora) pelo ex-presidente da República Jorge Sampaio, sendo, em Maio, a vencedora do “Globo de Ouro” na categoria de melhor interprete individual.
Mariza continua em viagem pelos 4 cantos do mundo, tocando em salas tão prestigiadas como o Royal Festival Hall em Londres, a Alte Oper de Frankfurt, o Walt Disney Concert Hall, a Filarmonia de Berlim ou o Hollywood Bowl em Los Angeles, onde actuou acompanhada pela conceituada Hollywood Bowl Orchestra conduzida por John Mauceri.
Durante o mês de Novembro, foi mundialmente editado o CD e DVD gravado ao vivo em Setembro de 2005, durante o espectáculo nos jardins da Torre de Belém, com a orquestra Sinfonietta de Lisboa, conduzida por Jaques Morelenbaum.
“Mariza-concerto em Lisboa” atingiu o galardão platina em Portugal.
Ainda em novembro, para além de esgotar os Coliseus de Lisboa e Porto, Mariza apresentou-se no mítico Royal Albert Hall, em Londres, onde actuou depois de receber a terceira nomeação para os BBC World Music Awards, na categoria de “Melhor artista da Europa”. Prémio que recebeu em 2003 e para o qual foi igualmente nomeada em 2005.
No inicio de 2007 Mariza foi nomeada para os prémios Finlandeses Emma Gaala, na categoria de Melhor artista Internacional, ao lado de nomes como Robbie Williams, Andrea Bocelli, Basshunter, Iron Maiden ou Red Hot Chili Peppers e em Junho o Instituto de Turismo de Portugal nomeou-a sua Embaixadora.
Pela primeira vez uma artista Portuguesa está nomeada para os prémios considerados distinção maior na área da música. “Concerto em Lisboa” de Mariza, foi nomeado pela Latin Academy of Recording Arts & Sciences, na categoria de álbuns tradicionais (melhor disco folk), para a 8ª edição dos Latin Grammy awards, em 2007.
nos versos dos poetas que vai procurar palavras suas que canta, numa música antiga que renova constantemente “porque o fado não é limitado, é certo que há uma linha de água e por isso, há que tratá-lo com todo o cuidado e dignidade”, mas isso não é um limite antes um desafio.
2007 ficará marcado também pela sua participação no filme “Fados”, do consagrado realizador Carlos Saura.
Mariza é uma das figuras principais deste registo que completa assim a trilogia do realizador (Tango, Flamenco e agora Fados) dedicada à música urbana.
“Fados”, regista a estreia da artista em outras áreas da arte, onde faz realçar a sua...a de cantar os “...poetas do meu país”.
O ano que se avizinha prepara-se para receber o novo trabalho de Mariza que, só quer sentir-se “livre para cantar” porque tem saudades de si e anda à procura do seu fado.
In www.mariza.com
Representante/Manager:
P.LATINA - PRAÇA LATINA Management e Direcção Artística, Lda
Av. da República, Nº 41, 8º Dto. 1050-187 LISBOA
Tel. 217819747/217819748 • Fax. 217819749
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Miguel Capucho é uma das vozes de referência da nova geração do Fado.
Nascido em Lisboa, em Outubro de 1974, cedo mostrou aptidão para as cantigas. Aos 14 anos começa a sua paixão pelo Fado. Durante a juventude começa a frequentar algumas Casas de Fado e o seu interesse por este género musical evolui de uma maneira crescente. Pouco a pouco começa a cantar Fado.
Aos 18 anos, faz a sua primeira aparição publica na capital Portuguesa, no Coliseu dos Recreios, durante a “Grande Noite do Fado”.
No ano seguinte conhece João Braga, que lhe reconhece um talento invulgar e o convida a participar nos seus espectáculos. Surge então a sua estreia no Centro Cultural de Belém (Lisboa) num concerto chamado “Fados d’Aquém e Além-Mar”(Fev.94). Depois deste e da sua forte estreia, surgem outros, tais como: “João Braga e Amigos” (T.São João / Porto / Mar.94), “Em Nome do Fado” (T.São Luiz/ Lisboa / Fev 95), Fados no Parque (P.Palmela / Cascais / Jul.95), Fados na Marina (Vilamoura/Ago.95), Grande Gala Cruz Vermelha (Aula Magna, Nov.96), sendo alguns destes espectáculos transmitidos no canal estatal e na RTPi.
Desde que começou a participar nestes concertos, chamou de tal modo as atenções, que assinou um contrato com a editora Strauss para a qual gravou um álbum intitulado “Alma Nova” – também com Maria Ana Bobone e Rodrigo Costa Félix (Dez/94), que foi muito bem recebido pelo público e pela Crítica, preenchendo um vazio de anos em termos de novas vozes de fado. Com esta gravação, abrem-se as portas e actua em inúmeros programas de televisão e rádio.
É cada vez mais reconhecido o seu valor como artista e conhece outro amigo: - Carlos Zel. Com ele, mantém uma amizade longa e uma admiração invulgar e participam juntos em inúmeros espectáculos, chegando a cantar juntos também, durante muito tempo, no Clube de Fado (Lisboa).
No decorrer dos anos, corre o país em inúmeros espectáculos e actuações muito aplaudidas e começam os convites para o estrangeiro. O primeiro foi para Copenhagen, aos 21 anos, para a Capital Europeia da Cultura, no qual realizou 14 espectáculos em uma semana com Maria Ana Bobone. Seguem-se depois actuações em Madrid, Barcelona, Paris, Luxemburgo. Participa novamente na Capital Europeia da Cultura, desta vez em Salónica(Grécia) com Argentina Santos e Carlos Zel, tendo realizado três espectáculos de enorme sucesso.
Vai então para o outro lado do Atlântico, mais propriamente para São Paulo (Brasil) onde realiza dois espectáculos . Volta de novo às actuações na Europa e canta novamente em França (Paris e La Baule ).
Por cá, continuam os convites de grande relevo e participa na Expo 98, durante o mês de julho, no Palco do Fado. No final da Expo, canta num espectáculo final ao lado das mais importantes vozes de Fado da actualidade. Entre 1999-2001 surgem novos espectáculos que lhe acentuam o mérito profissional, onde é convidado para cantar em dois espectáculos para o Estado, um dos quais realizado durante a Presidência Portuguesa da UE (Vilamoura) e outro no Convento do Beato (encontro com o governo Canadá).
Surgem então em 2001, as famosas Noites de Fado do Casino Estoril, dirigidas por Carlos Zel, e é o convidado de destaque de uma das primeiras semanas de actuação. Até ao final das mesmas, foi sempre um convidado e uma presença assídua destas noites do Casino.
Intensificam-se as suas atuações a solo até aos dias de hoje. Volta ao CCB, percorre auditórios da Fnac, é convidado para cantar no importante Festival de Música da Casa de Mateus ( Vila Real ) e Figueira da Foz, e torna-se uma das escolhas de inúmeras empresas para mostrar a sua voz em “meetings”, reuniões, como para a Tranquilidade, Bes, Axa, entre muitas outras.
Em 2003-4 é a voz escolhida de uma importante marca de bebidas, mostrando a sua voz em inúmeros eventos. Nos anos anteriores Camané, entre outros, foram as vozes escolhidas.
Percorre novamente países, como Itália (Ferrara) e Estados Unidos (Califórnia).
Experimenta novas sonoridades ao juntar-se com o Moscow Piano Quartet nos dias de hoje em exclusivas actuações, onde se misturam a voz e o trinar das guitarras com o som do violino, violoncelo, contrabaixo e piano.
Percorre agora palcos nacionais e mundiais, pelas mais diversas ocasiões, festivais e espectáculos..
Quanto às suas participações em televisão, são de salientar os programas “Fados d’Aquém e Além-Mar”, “Fados no Parque”(RTP1), “Fados de Março” (RTP1), “Duetos”(RTP1), Lá Vai Lisboa (Rtp1), programas sempre com enorme audiência, sem deixar de referir os tradicionais programas diários. É sempre um importante convidado das Grandes Noites de fado, normalmente transmitidas também pela televisão estatal e para o mundo inteiro.
Na discografia, para além do seu àlbum de estreia “Alma Nova”, participou em gravações em trabalhos para a Capital Europeia da Cultura 96 “Melhores Artistas”, “Novas Vozes do Fado” (Publico) 2004, “Em Nome do fado” de João Braga, e em várias compilações de Fado editadas para o mundo.
Miguel canta cada vez mais em Portugal e em diversos países pelas mais diversas ocasiões.
Miguel Capucho, é ainda um acérrimo defensor das casas de Fado, actuando diáriamente no Clube de Fado (Lisboa) e na Casa de Linhares (Lisboa) com a mesma equipe da tão conhecida “Taverna do Embuçado”.
Prepara agora o lançamento de um novo album, recolhendo repertório e novas músicas.
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 Mísia, seu olhar quente como o sangue, circular como as pérolas, salgado como o mar. Seus olhos de um castanho âmbar ardente e aveludado, o peso estranho de uma placa de aço aquecida ao rubro. Toda a ciência da mulher e toda a inocência da menina, a paixão e o jogo, o riso e as lágrimas. Mísia resiste às palavras de uma biografia como à prisão de um género musical, transpõe o lugar de nascimento, as fronteiras de um país.
Nascida no Porto, tomou de assalto Barcelona, e vive hoje em Lisboa, mas tem rotinas e cabeleireiros em Paris, Tóquio, México. Cruzou montanhas, afrontou territórios, mas acima de tudo soube criar um espaço-tempo, o seu mundo, tecelagem de sons escondidos no fundo do seu corpo, de palavras vividas, de luzes despidas... Mísia no palco desde a infância. "A minha avó atava-me à sua saia" - uma vedeta 'frívola' que queria evitar-lhe as noites brancas, os quartos frios de hotel, fervor e solidão. Da sua avó Mísia conta pouco, então imaginamo-la a "Vagabunda" de Colette, dos Music Halls dos bairros populares de marinheiros às estações de comboio pela madrugada. Como é que sua avó e sua mãe, duas mulheres de Barcelona aterraram na cidade do Porto? Uma história de amor a contracorrente dos desejos da alta burguesia portuguesa à qual o seu pai pertencia. A mãe, Luísa, mulher de beleza rara, inteiramente entregue à sua paixão - a dança clássica espanhola - seduz o jovem português de olhos azuis que a observa no palco do cabaret Maxime em Lisboa, fascinado pelo seu vestido de bailarina espanhola, pela visão de suas pernas... e casa-se com ela. Instalam-se no Porto aristocrático. Mísia nasce, chama-se Susana Maria. Usa um uniforme azul marinho e deve manter-se hirta, em silêncio, menina exemplar na grande casa da família paterna. Mas rapidamente atravessa as ruas do bairro rico para se aconchegar nos braços quentes e perfumados da sua avó Lolita, que lhe conta, de cigarro sem filtro na mão, as aventuras de uma juventude boémia...
Assim começa o caminho iniciático, o acordar dos sentidos, o apelo dos projectores e das bambolinas do teatro, o sonho do cavaleiro, que a livrará das mãos do monstro, aterradora criatura nascida do sentimento de abandono. Depois do divórcio de seus pais, a mãe ausenta-se levada pelo trabalho, pela dança, a sua alegria. E a menina evade-se nas leituras proibidas, vestida de velhos trajes de teatro, embalada pelos sons e as palavras deste fado que entra pelas janelas e percorre as ruas; O tempo de uma canção para compensar o vazio deixado por um pai demasiado distante... a coragem e o rigor de Mísia, a sua vida sem mesura, não podemos apreendê-los sem estas duas mulheres, a primeira e a segunda formigas, como ela as vê e se revê. Três formigas obreiras, uma atrás da outra, na eterna procura do absoluto do amor e da arte. Mísia e a sua linhagem de mulheres livres que ousam viver fora das convenções, fora dos espartilhos dos géneros musicais e para além dos muros protegidos e polidos da ordem burguesa.
A parte irredutível do mistério de Mísia - essência de flores selvagens, depuração de formas, transcendência espiritual, sabedoria dos poetas, viagem nos livros, encantamento e sentido do real - está enraizada na sua história de exílio interior e afectivo, que acontece um dia quando afastada da sua terra natal. Aos 20 anos, Mísia parte atrás de sua avó para Barcelona, e é lá que se apodera de todos os géneros de palco, trabalha a sua voz, da mesma forma como modela a sua vida sem receios, a fundo, com coragem e humor. Desde muito cedo, Mísia desejou tornar-se cantora, e lançou-se sem hesitar, apesar dos avisos da mãe e dos medos da avó, apesar das duras provas da pobreza e das noites sem sono. Com o vento que varre o franquismo em Madrid, impõe-se. Mísia tem pelo menos dois países, vários idiomas, uma multiplicidade de rostos. É nómada e sedentária, a sua casa, o seu refúgio, estão nela, portanto, pode partir e pousar lá onde o seu destino de artista a leva. Interiores quentes como aqueles da sua avó, desordem de livros e de cadernos íntimos com capas de seda, paredes de um verde pálido ou quadros de pintores amigos, fazem parte da sua casa, hoje em Lisboa. Mísia é uma mulher comprometida, no sentido Sartreriano da palavra. O mundo interessa-a, a injustiça indigna-a, a hipocrisia e a cobardia desgostam-na. Os seus amigos, a sua tribo, são escritores como Lídia Jorge, José Saramago, poetas como Vasco Graça Moura, actrizes como Maria de Medeiros, cantoras como Maria Bethânia, pintores como Bela silva e Carlos Torres, artistas como Sophie Calle. Estes encontros enriquecem os seus dias e a sua arte. Mísia experimenta cada momento da vida sem queixumes nostálgicos de um passado imaginado. Ela não cede nem diante dos obstáculos nem diante do 'senso comum'. Mísia sabe que a vida é algo sublime, que nada tem a ver com essa felicidade, pálida e mentirosa, à qual parece aspirar esta sociedade de consumo. Sabe que a verdadeira vida contém a morte, que a paixão é avassaladora e que o amor desola. Ela sabe que é simplesmente assim, então canta no mais próximo da emoção. Com fervor e rigor esculpe o seu canto, a sua alma...
Só a voz de uma mulher que traz no seu corpo cicatrizes talhadas pelo destino, pode tornar a tal ponto palpável o amor e a paixão. Uma mulher apaixonada, soberana e pura, indomável e sempre desejada, livre... uma mulher que sonha acordada.
Se na realidade rígida e mesquinha dos dias, os mundos dos homens e o das mulheres se relacionam e se maltratam sem esperança de algum dia se compreenderem, na noite cantada por Mísia, a fusão milagrosa de um homem e de uma mulher torna-se possível, passível de ser vivida...
Os textos falam de encontros ardentes, de poderosa nostalgia, do passado que não se apaga, da traição, de encantamento, de sentimentos amorosos, de desgarramentos... Uma ética política emana de todas as suas canções, a da liberdade, da tolerância, da alegria. A ética da vida contra a morte. "O que eu desejo é falar da vida, das suas misérias, da sua grandeza...". Mísia transgride a rotina dos dias opacos, prisioneiros, convida-nos a viajar nos sentimentos, a ousar viver, chorar e rir, como ela o faz todos os dias. Contra ventos e marés, Mísia regressa do exílio, ela precisa de reencontrar o verdadeiro fado popular, nas tabernas escuras, maldito e fora de moda. Instala-se em Lisboa em 1990, difícil travessia das aparências, nesta sociedade portuguesa que nem sempre a recebe de braços abertos. A sua maneira de ser rebenta com a imagem tradicional da fadista. Solidão e audácia, Mísia obstina-se. Somente os poetas e os músicos, a acompanham neste caminhos onde o fado, revisitado, reinventado e interpretado pela sua voz única, renasce e se expande. O sucesso não a pacifica, ela aventura-se ainda com sendas desconhecidas, não abandona as suas linhas de fuga. Hoje, em Drama Box rompe a prisão dos géneros musicais, apodera-se do tango e do bolero, para no-los fazer ouvir de maneira diferente. Mísia, fiel a si mesma, ao seus movimentos interiores, retoma as suas idas e vindas, à custa de riscos e perigos, entre o aqui e o além. Entre esta falta de um porto de ancoragem e o desejo incessante do outro e do mundo.
Carmen Castillo, realizadora de cinema
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