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 O primeiro contacto de Camané com o fado ocorreu um pouco por acaso, quando durante a recuperação de uma maleita infantil se embrenhou na colecção de discos dos pais e descobriu os grandes nomes do fado: Amália Rodrigues, Fernando Maurício, Lucilia do Carmo, Maria Teresa de Noronha, Alfredo Marceneiro e Carlos do Carmo...
Dessa altura até à vitória em 1979 do evento "Grande Noite do Fado" foi um passo. Na sequência desta participação gravou alguns trabalhos e efectuou diversas apresentações públicas.
Após uma interrupção de cerca de 5 anos, Camané regressou às lides do fado, actuando em diversas casas de fado, além de fazer parte do elenco de diversas produções de Filipe La Féria - "Grande Noite"; "Maldita Cocaína"; "Cabaret" - onde adquire assinalável evidência.
Quando da actuação nas noites de fado no Teatro da Comuna conheceu José Mário Branco, iniciando nessa altura uma relação de amizade e trabalho que conduziu à edição de "Uma Noite de Fados", gravado ao vivo durante quatro noites consecutivas no Palácio das Alcáçovas, recriando o ambiente de uma verdadeira casa de fado.
A edição de "Uma Noite de Fados", elogiada pela critica especializada, elege Camané como a voz mais representativa da nova geração do fado, possibilitando o reconhecimento da qualidade do seu trabalho pelo grande público.
Realizou desde essa altura inúmeras apresentações em Portugal, de onde se destaca a participação no espectáculo de homenagem a Amália Rodrigues promovido pela RTP, e no estrangeiro, actuando em França, Holanda, Itália e Espanha.
inicio de 1998 foi marcado pela edição do novo trabalho - "Na Linha da Vida" - com produção de José Mário Branco e com a participação de Custódio Castelo na guitarra portuguesa, Jorge Fernando na viola e de Carlos Bica no contrabaixo. "Na Linha da Vida", mereceu atenção especial por parte dos media, confirmando as expectativas que "Uma Noite de Fados" provocara, e consagrando em definitivo Camané como uma das vozes mais impressionantes do fado.
Durante o ano de 1998 Camané realizou inúmeros espectáculos em Portugal - destancando-se as apresentações na Expo 98 - participou no espectáculo "De Sol a Lua - Flamenco e Fado", e ainda em alguns festivais de música na Europa, como o Festival "Tombées de La Nuit", em Rennes e o Festival - Les Méditerranées à l Européen - em Paris.
Colaborou com o grupo Ala dos Namorados e no colectivo "As Viagens do Fado" com Filipa Pais e Carlos Martins. Em Outubro, aquando da edição de "Na Linha da Vida" pela EMI holandesa e belga, realizou uma digressão por algumas localidades desses países.
No final do ano, depois da realização de apresentações em Espanha, Camané participou como convidado no espectáculo de José Mário Branco realizado no Teatro Camões e no concerto comemorativo de 35 anos de carreira de Carlos do Carmo realizado no Centro Cultural de Belém. Entretanto "Na Linha da Vida" foi incluído pela crítica especializada nas listas dos melhores trabalhos de música portuguesa do ano (Expresso/Voxpop...).
O ano de 1999 foi dedicado a inúmeras apresentações ao vivo - Portugal, Espanha, Macau e França - bem como à pré-produção e gravação de um novo trabalho de originais. No final do ano "Na Linha da Vida" foi publicado pela EMI da Coreia marcando assim a primeira abordagem ao mercado oriental.
Para o início de 2000 estava reservado um novo passo na carreira de Camané: a edição em simultâneo na Bélgica, Holanda e Portugal do terceiro trabalho discográfico de Camané - "Esta Coisa da Alma". Produzido uma vez mais por José Mário Branco, "Esta Coisa da Alma" contou com a participação de um trio de músicos de luxo: José Manuel Neto na guitarra portuguesa; Carlos Manuel Proença na viola; e o contrabaixista Carlos Bica.
A edição deste trabalho na Holanda e na Bélgica foi acompanhada por uma tournée por algumas das mais importantes salas destes países, destacando-se duas noites esgotadas no Concertgebouw de Amsterdão ou ainda a participação no Festival de Brugges, seguindo-se concertos em Espanha, Suiça, Alemanha e França. Em Portugal, "Esta Coisa da Alma" foi apresentado em diversas localidades do país sendo um dos pontos mais altos o espectáculo realizado em Outubro, no Centro Cultural de Belém.
Evidenciando o merecido reconhecimento por parte do público pelo trabalho global efectuado em torno deste "Esta Coisa da Alma", Camané recebeu o disco de prata pelos 10 mil exemplares vendidos, mesmo na recta final do ano.
Já em 2001, entre Fevereiro e Março, realizou diversos espectáculos em Portugal e França (Festival Chorus) e o mês de Abril representou um mês de galardões - grande foi a expectativa na noite do dia 8 quando Camané recebeu o Globo de Ouro da SIC na categoria de música para o melhor intérprete individual.
Duas semanas mais tarde, foi a vez da Casa da Imprensa brindar Camané com o Prémio Bordalo para melhor intérprete de música ligeira. No final de Outubro, Camané recebeu o Prémio Blitz/ Clix para Melhor Voz Masculina Nacional.
Em Novembro foi lançado o seu 4º CD "Pelo Dia Dentro", uma vez mais com produção de José Mário Branco e com a participação dos músicos José Manuel Neto (guitarra portuguesa), Carlos Manuel Proença (viola) e Carlos Bica (contrabaixo) que alcançou apenas três semanas depois do seu lançamento o disco de prata.
O arranque dos espectáculos referentes a este disco deu-se em duas das mais prestigiantes salas do país: dois dias no Rivoli (Porto) e um dia no Grande Auditório do CCB, em ambos os casos com lugares esgotados.
Antecedendo a temporada de concertos de Verão, Camané participou num espectáculo concebido em conjunto com a actriz Manuela de Freitas em torno da obra de Fernando Pessoa e apresentado no Palais des Beauxs Arts, em Bruxelas.
Muitas foram as localidades ao longo do ano que fizeram parte desta tournée "Pelo Dia Dentro" que se prolongou com um conjunto de apresentações na Holanda e Bélgica em Outubro/ Novembro 2002.
No inicio de 2003 foi editado um CD, resultado da participação de Camané nos espectáculos em formato acústico que o grupo rock Xutos & Pontapés realizou no final de 2002, em Lisboa.
Ainda nos primeiros meses de 2003 foi publicada uma compilação integrada na colecção "The Art Of" do catálogo Hemisphere com a particularidade de incluir regravações de temas de "Uma Noite de Fados", o primeiro CD de Camané, efectuadas no final de 2002. Este ano foi também dedicado à realização de apresentações em Portugal e estrangeiro, bem como à edição do primeiro CD ao vivo - "Camané - Como Sempre... Como Dantes", com o galardão de “disco de ouro” que originou uma tournée durante o ano de 2004, com início no C.C. Olga Cadaval em Sintra, passando por cidades como Famalicão, Coimbra, Faro, Évora, Porto e Lisboa, entre outras.
A propósito de um convite do Teatro São Luíz para uma série de espectáculos no Jardim de Inverno, Camané idealizou o projecto “Outras Canções”. Nos seis concertos que integraram a série, interpretou canções de grandes nomes da Música portuguesa e brasileira, que constituem as suas referências nos diversos géneros musicais...
No final do ano, foi editado o Cd “Humanos” do projecto com o mesmo nome do qual Camané fez parte ao lado de Manuela Azevedo e David Fonseca bem como dos músicos Nuno Rafael, João Cardoso e Hélder Gonçalves. As apresentações ao vivo tiveram lugar nos Coliseus em Junho/ Julho de 2005 e foram gravados para posterior edição em DVD.
Para além desse projecto, ao logo de 2005, continuou a apresentar “Como Sempre...Como Dantes” por diversas localidades do país (Alcochete, Castelo Branco, Figueira da Foz, entre outras) e estrangeiro, de onde se destacam Canadá, Luxemburgo, Paris (Festival d’Ile de France). Ganhou o Prémio “Amália Rodrigues” na categoria de melhor intérprete de fado (Masculino).
Em Março de 2006, é editado o primeiro dvd “ao vivo no S. Luiz com o registo dos concertos que Camané realizou no Teatro Municipal S. Luiz durante a tour “Como Sempre...”
Em concerto, revelam-se as muitas qualidades de Camané – voz, originalidade, autenticidade, musicalidade, maturidade... Em termos interpretativos, este amadurecimento traduz-se nos constantes desafios técnicos que foi conquistando, com o rigor e a seriedade que o caracterizam e que se reflectem na forma como transmite a palavra dos poetas, os de hoje e de os de outros tempos.
VACHIER & ASSOCIADOS Produção de Espectáculos, Lda
Estrada das Várzeas, 2 B - 2790-444 QUEIJAS
Tel. 214168300 • Fax. 214168309
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 Carla Pires iniciou o seu percurso artístico em Setembro de 1993, ao participar na primeira série do programa Chuva de Estrelas. Em 1995 concluíu a sua formação na Escola Profissional de Artes e Ofícios do Espectáculo.
Entre 1994 e 1995 gravou diversas bandas sonoras para telenovelas portuguesas: “Roseira Brava”, “Primeiro Amor”, “Ana e os Sete”.
Em Setembro de 1996 venceu o concurso organizado pela Sociedade Portuguesa de Autores, tendo representado Portugal no Festival de Salónica (Grécia), onde obteve o primeiro lugar com o tema “Canção do Vento e da Terra”, de José Manuel Coelho.
Entre Julho 2000 – Março 2002 integra o elenco fixo do Musical Amália, de Filipe La Féria, exibido durante mais de dois anos no Teatro Politeama.
Participa em 2002, como actriz e cantora desempenhando o papel de Teresinha na novela “O Olhar da Serpente”, de Francisco Nicholson e Felícia Cabrita, produção da NBP para a SIC.
Ainda em 2002 grava com o Quinteto Amália, o CD “O Fado em Concerto”, com direcção musical de José Marinho.
Em Setembro de 2003 regressa ao musical Amália, onde desempenhou o papel de Amália “jovem”, até Julho de 2005
Em Setembro de 2004 apresentou-se na Festa do Avante ao lado de Mísia e Aldina Duarte, em Dezembro participa com Ana Sofia Varela no Festival Atlantic Waves em Londres e em finais de Dezembro canta para 2000 jovens no Encontro de Taizé em Lisboa, onde foi longamente aplaudida.
Em Maio (23 e 24) realizou três concertos na Expo2005 em Aichi – Japão, a convite do Comissariado Português. O concerto do dia 24, dia dedicado a Portugal, contou com a presença do então Presidente da República Dr. Jorge Sampaio.
Terminada a participação no Musical Amália, Carla Pires apresentou-se em Agosto de 2005 em Irun (Espanha), voltou a actuar na Festa do Avante e em Setembro participa no Festival Internacional da Casa de Mateus. Em Janeiro de 2006 actuou durante uma semana na Grécia, em Março, deslocou-se à Suécia para dois concertos (Estocolmo e Lund), actuou no início de Julho em Mantua (Itália), em Setembro, juntamente com António Zambujo e Liana realizou na Festa do Avante um espectáculo de homenagem a Alain Oulman e em Novembro 2006 cantou em Sint-Truiden e Herzele (Bélgica) assegurando já duas digressões no Benelux para Novembro 2007 e Abril 2008.
O primeiro CD a solo da artista, Ilha do Meu Fado foi editado pela Ocarina em Junho de 2005 e conta com a participação de alguns dos melhores músicos de fado da actualidade: Custódio Castelo, José Manuel Neto, Paulo Parreira e Mário Pacheco na guitarra portuguesa; Luís Pontes na guitarra clássica e Ricardo Cruz no contrabaixo.
Um tema deste CD “Boca da Noite” foi licenciado para a colectânea Global Sounds 2005 que se edita na Holanda com uma tiragem de 60000 cópias.
Representantes:
OCARINA
R. Quinta De Santa Marta, 2 L - 1495-171 ALGÉS
Tel. 214 121 136 • Tlm. 969 002 573 • Fax. 214 121 140
www.ocarina-music.pt •
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 O fado e Lisboa são dois elementos inseparáveis da vida e obra de Carlos do Carmo. Se dúvidas houvessem quanto ao seu dom, aperfeiçoado por uma herança que veio da sua mãe, Lucília do Carmo, uma das grandes vozes do fado, estas foram esclarecidas com um carreira ímpar e repleta de sucessos.
A vida de Carlos Alberto Ascensão de Oliveira, o seu verdadeiro nome, começou por ter uma breve passagem pela gestão hoteleira, enquanto tirou a licenciatura na Suíça. O destino desejou que o regresso a Lisboa se concretizasse, dada a morte do pai, rejeitando assim uma perspectiva de carreira no Brasil. A gestão do "Faia", a casa de fados da família passou a ser a sua principal ocupação. O contacto com o meio artístico e com os ambientes do fado tornou-se assim habitual.
A voz de Carlos do Carmo não passou despercebida na noite de Lisboa e os primeiros registos gravados em disco surgiram em 1963, no catálogo da Valentim de Carvalho. As preferências musicais do fadista, repartidas entre nomes como Frank Sinatra ou Jacques Brel enriqueceram mais ainda performances já por si repletas de virtude. E foram esses factores que lhe proporcionaram apresentações dentro do estilo clássico do fado ou em incursões na música ligeira.
O acompanhamento da melhor musicalidade foi feita ao sabor de nomes como José Carlos Ary dos Santos, Fernando Tordo, Paulo de Carvalho, José Mário Branco ou José Carlos Tinoco. A carreira do fadista de Lisboa ficou assim definitivamente lançada, e o seu nome passou a ser uma referência incontornável na música portuguesa a partir do final da década de 60.
A representação de Portugal no Festival da Canção de 1976 (depois de, numa experiência singular, ter interpretado todos os temas do Festival RTP da Canção) com o tema "Estrela da Tarde" foi outro marco na sua já então rica caminhada, onde se destacaram êxitos como "Por Morrer Uma Andorinha" ou "Canoas do Tejo". No ano seguinte, editou aquela que é considerada a grande obra da sua carreira, "Um Homem Na Cidade". O disco foi inteiramente dedicado à capital portuguesa, e todas as faixas presentes tiveram letras de Ary dos Santos.
Após consecutivos triunfos a nível nacional, seguiu-se a conquista dos palcos internacionais, nomeadamente em França, onde actuou no Olympia de Paris e na ex-R.F.A., na Alte Oper em Frankfurt. Os êxitos continuaram ao longo dos anos, e após a gravação de mais canções eternas, entre as quais se destaca "Os Putos", onde apresentou uma rara versatilidade de composição tendo como base o fado, fez em 1990 uma paragem por motivos de saúde. Foram seis anos de espera até ao aparecimento de um novo conjunto de originais. Durante o interregno actuou algumas vezes ao vivo, em parte, ao som daquele que tinha sido o seu álbum de 90, "Que Se fez Homem de Cantar".
"Margens" foi o seu último conjunto de originais editado até à data. A concepção do álbum esteve a cargo de José Luís Tinoco. Ao mesmo tempo participou no álbum "Tempo" de Pedro Abrunhosa. Em 1999, um concerto feito em Lisboa, resultou no disco "Ao Vivo No CCB", celebrando os seus 35 anos de carreira. Em 2004, e em celebração de mais um etapa na sua carreira ímpar, no caso os 40 anos de carreira, Carlos do Carmo actuou no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, concerto consagrado na edição de "Ao Vivo no Coliseu dos Recreios - 40 Anos de Carreira", nesse mesmo ano.
Mário Mesquita Borges
Representantes:
OFICINA DA ILUSÃO
Av. Infante D. Henrique, n.º 333 H - 1º Piso - Sala 19 1800-282 LISBOA
Tel. 218508060 • Fax. 218533230
www.oficinadailusao.com •
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 Célia Leiria belongs to the new generation of fado singers. Born in February 8, 1979, soon revealed his passion for Fado. Coming from a family with Fado traditions, started singing when child, but at 14 years of age begins to sing fado.
Year by year has been gaining name, and close to its twenty years, strongly branded his name in the middle of fado. After the knowledge of Carlos Zel (a well-known fado singer), appeared the invitation to sing in the prestigious "Quarter-Fado" of the Casino Estoril (2001). From here, her career makes a great leap and follows up with numerous participations and shows by Portugal and abroad. In Portugal sang in the Azores, Ribatejo in Lisbon. Has also show its voice in Luxembourg, Spain, Germany, France, Hungary and the United States.
Célia is increasingly a voice of reference of the new generation of fado-singers. Sings usually in several fado places of prestige as "Clube de Fado," Faia"and" Chapitô ", all in Lisbon.
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 Chico Madureira iniciou a sua carreira no início dos anos setenta. Frequenta as casas de Fado, canta de forma espontânea nas rodas de amigos e aí começa a revelar os seus dotes de fadista. O carinho e aceitação do público levou-o a abraçar a carreira de fadista e passou a fazer parte do elenco das mais importantes e prestigiadas casas de Fado de então. Integrou o projecto “Opus Fado” sob a direcção musical do Professor Martinho da Assunção, realizando então diversas digressões pelo país e estrangeiro.
Chico Madureira é considerado no meio fadista como um dos mais importantes intérpretes da sua geração e ao mesmo tempo um mestre e uma grande referência para os mais novos.
Após prolongada pausa, Chico Madureira retoma a carreira devido aos pedidos e incentivos dos amigos, dos colegas e dos mais aficionados desta forma de expressão que o fadista representa como ninguém. Esta “pressão” a que o artista foi sujeito, contribuiu também para o lançamento, em Maio de 2006, do CD REGRESSO.
REGRESSO não é um disco para guardar como uma revelação mas sim como uma referência de uma das mais importantes testemunhas da História da Canção de Lisboa.
Representantes:
OCARINA
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 O fado, queiram ou não, tornou-se um dos símbolos vivos da língua: saudosista de primeira, rebelde acima de todas as suspeitas, história em pacto de intimidade com quase tudo o que é comtemporâneo. Ao longo do tempo não faltaram tentativas de lhe atribuir parentescos, descobrir-lhe intenções, ou mesmo dar-lhe um corpo - Maria da Glória ou Glória Maria. Cada um vê o fado à sua imagem e semelhança.
Quando Cidália Moreira tomou o lugar entre fios e microfones e, com uma voz meridional, começou a trabalhar como suas as palavras do fado, aquelas caras da noite que assistiam recapitularam todas as perguntas possíveis. Para uns o fado é uma ”força cósmica universal”. Será? ou antes, uma espécie de antropofagia’? Será? Para outros, um pouco de grito a que a minoria lusitana terá direito. De vez em quando era quase necessário que Cidália parasse para alguém dizer: é isso mesmo.
Cidália Moreira é forte e frágil ao mesmo tempo. O olhar é bravo e comove-se: não é teatro onde a simulação tem o seu valor. E as mãos são transparentes e acompanham como ferro uma voz que não é claustro: sente intensamente o mundo presente.
Tenta agarrar outras palavras quando estas a tentaram para formas de sentimentalidade. O fado de Cidália deixa bem claro, que é falsa a reputação de distância que cerca o fado. Será então, o fado, um serviço público?
É enquanto gerava fado nos poemas de Vasco Lima Couto e de José Carlos Ary dos Santos, alguém se lembrou que fazer fado é uma forma de confissão, de nudez e se não for assim, será brincadeira ou mistificação. E porque não Camões ou Carlos Drummond de Andrade? O fado a prestar um serviço: deselitizar a poesia, pôr a língua na civilidade. Castiço é isto.
Vêem alguns no fadista um profeta visionário a relembrar a face menos nítida e menos real de um país que não existe. Não vi Cidália a desgastar-se nisso. O que fez Cidália? Procura textos que digam alguma coisa ligada à vida de todos os dias? Cantigas de amigo? Foram umas longas horas de teste definitivo.
A provar que a poesia pode estar no dia-a-dia. Num exercício solitário de fado. E mesmo quando se discorda do texto, Cidália transforma o fado numa adivinha: trabalha cada palavra como se cada palavra estivesse desligada dos que a ouviam.
Forma umas longas horas com um fado que vai percorrer o purgatório das interpretações num país onde a educação poética e musical foi sempre moldada por padrões estrangeiros. Por isso, menospreza-se a categoria dos clássicos do fado. a não ser que fique arrumadinha na prateleira folclórica dos costumes vocais nativos.
Todavia, a força manifestada por esta algarvia levanta questões e problemas cruciais à prática cultural no Portugal de hoje. Por exemplo: o dilema dos que hesitam entre cantar para o povo e não apenas sobre ele. É evidente que não compete ao fadista tentar sistematizar o estudo do carácter nacional a partir do ”português” revelado no folclore, na mitologia e na tradição.
Esta tarefa competirá aos que não receiam ser vítimas conscientes das contradições do sistema. Deste ou daquele sistema, é da teoria. Ao fadista compete reflectir deliberadamente um estilo, de vivência ou de narrativa. Cidália criou um estilo tanto mais forte quanto o texto é fruto de uma imaginação fértil.
E um estilo que sofistifica o verso. Um estilo que provou, ao longo de horas, que o fado não é para iniciados. É para ser ouvido pelos que o próprio fado retrata. O valor permanente do fado está nessa sua pretensão: a aspiração do fadista que se dispõe a expressar o seu país em palavras e não apenas a entendê-lo. Nesse sentido, o fado é parte de uma luta entre a cultura oral e a cultura escrita. Não existe sem oralidade e não fica limitado a um público restrito. E a nostalgia vem desta identificação...
O fado que fez Cidália aponta para tudo menos para o que tem sido entendido como ”essencialmente destruidor” e não se circunscreve no que tem sido descrito como ”uma vasta ilusão”. Nem sequer para uma ”orgia intelectual”. O que se ouviu de Cidália, pela forma como se ouviu, é um antindividualismo dirigido voluntarioso, para não dizer implacável.
Provou ao longo de horas que o fado tem, neste país, o elementar direito permanente à pesquisa estética, à actualização da inteligência artística portuguesa e à estabilização de uma consciência criadora nacional. Uma prova destas é uma conquista muito mais importante do que a sensualidade oral já conseguida para o fado, por exemplo, por Amália Rodrigues, e mais importante do que os cantares do submundo português dos anos 40 e 50 a lembrar as esperanças que restavam no crespúculo do arbítrio.
Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer.
Carlos Albino Guerreiro
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 Nasceu em Castro D'Aire. Canta desde os 20 anos, mas só nos últimos anos tem mostrado as suas excelentes capacidades vocais e interpretativas ao público que a escuta. Foi também nos últimos anos que decidiu entregar-se totalmente ao fado.
Conta com dois discos (Cd's) de edição própria, onde canta temas de Amália Rodrigues, Maria da Fé e dois inéditos feitos exclusivamente para ela com a assinatura musical de José Fontes Rocha. Na sua vida já conta com participações na Grande Gala do Fado "Carlos Zel" no Casino Estoril, "Quartas de Fado" e tem percorrido o país, presenteando o grande público. A convite do guitarrista Mário Pacheco, deslocou-se ao Japão e fez parte do elenco de uma das mais importantes casas de Fado de Lisboa - Clube de Fado.
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 Do Fado espera-se que traduza o sentimento trágico da vida: o sofrimento, a saudade e a impotêntia perante o destino. A tradição, já longa, do fado, depositou algumas 'fórmulas' para dar voz a esses sentimentos, cuja invariável repetição tem conduzido à delapidação desse tesouro expressivo, ao seu inevitável esvaziamento emocional, ao sobrevoar das palavras pelos cantores. O caminho de Cristina Branco é outro.
Sem procurar uma ruptura ingénua com a tradição, antes procurando o que nela há de melhor (oiçam se alguns dos "clássicos" por ela cantados), Cristina Branco revitaliza essa tradição pela autenticidade da sua interpretação. A voz e a sensibilidade interpretativa de Cristina Branco procuram o difícil convívio dos textos com a musicalidade do fado, tentando encontrar um caminho expressivo que torne música e letra inseparáveis no sentir.
Nascida e criada muito longe das casas de fado de Lisboa, nada na vida de Cristina Branco indicava que o seu destino seria o fado.
Como acontece com quase todos os jovens portugueses nascidos depois da Revolução dos Cravos, os seus interesses musicais passavam pela canção popular, pelo jazz, pelos blues, pela bossa nova, mas não pelo fado. No seu entender, esse era o género de uma outra geração mas as suas certezas ficariam definitivamente abaladas no dia do seu 18° aniversário, quando o seu avô escolheu para prenda o álbum Rara e Inédita, de Amália Rodrigues, a mais importante voz de Portugal do século XX.
De repente, Cristina Branco descobriu toda a emoção que o género podia conter, na sua íntima ligação entre voz, poesia e música. Pouco a pouco, a intérprete amadora, estudante de Comunicação Social e com ambições de fazer carreira na área do Jornalismo, começou a desenvolver a sua técnica vocal e a levar muito a sério a nova vocação. Tal como outros jovens músicos que, desde meados dos anos 90, encontraram no fado a sua forma de expressão, contribuindo para uma surpreendente renovação da canção de Lisboa, Cristina Branco começou a definir o seu percurso, onde o respeito pela tradição caminha lado a lado com o desejo de inovar.
Se nada na vida de Cristina indicava que o seu destino seria o fado, temos hoje de admitir que Cristina Branco está a criar um estilo: um grupo tradicional (voz, guitarra portuguesa, viola e viola-baixo); uma voz simultaneamente leve, quente e sentida; uma mistura de fados tradicionais, temas próprios e canções populares, sempre com o cuidado de escolher as palavras dos melhores poetas portugueses.
Representantes:
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